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Correios e Prefeitura unem educação e magia do Natal em campanha de cartinhas

O Natal ainda está a algumas semanas de distância, mas, em uma sala de aula da Escola Municipal Professora Eulália Neto Lessa, na região da Vila Ma...

06/11/2026 às 09h37
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Campo Grande - MS
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS

O Natal ainda está a algumas semanas de distância, mas, em uma sala de aula da Escola Municipal Professora Eulália Neto Lessa, na região da Vila Manoel Taveira, em Campo Grande, a magia já começou a tomar conta dos pequenos. Entre lápis, folhas de papel, desenhos coloridos e muitos sonhos, crianças de 5 a 8 anos dão os últimos retoques em suas cartinhas ao Papai Noel. Para algumas, a expectativa é por um brinquedo; para outras, por um presente que há tempos ocupa os pensamentos. Mas, por trás de cada pedido, existe algo ainda mais especial: a descoberta de que as palavras também são capazes de aproximar pessoas e transformar desejos em mensagens.

A atividade faz parte de uma parceria entre os Correios e a Secretaria Municipal de Educação (Semed), que envolve 16 unidades da Rede Municipal de Ensino, entre escolas e Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis). A proposta é incentivar as crianças a escreverem suas cartinhas, trabalhando o gênero textual de maneira lúdica e significativa, enquanto alimentam a expectativa de receber uma resposta do bom velhinho.

Na E.M. Professora Eulália Neto Lessa, a participação no projeto foi recebida com entusiasmo pela equipe pedagógica. Para a diretora Juliana Amaral, que está à frente da unidade há nove anos, a oportunidade chegou como uma surpresa especial e trouxe resultados que já podem ser percebidos no cotidiano escolar.

“Fiquei muito feliz porque, além de ajudar no pedagógico, já que estamos trabalhando a questão textual, que é uma dificuldade para algumas crianças, também percebemos o empenho delas. Existe todo um encantamento em torno do presente e da vinda do Papai Noel, e isso acaba incentivando a participação, a frequência e até o comportamento dos alunos. Todos querem participar, escrever e aprender a ler suas cartinhas”, conta.

Segundo Juliana, o projeto foi incorporado às atividades em sala de aula e envolveu as turmas do Grupo 5 ao terceiro ano, contemplando diferentes etapas da alfabetização. Antes de escreverem para o Papai Noel, os alunos tiveram contato com outros exemplos de cartas, produzidas para colegas, professores e familiares.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
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Juliana Amaral, diretora da E.M. Professora Eulália Neto Lessa, sorrindo durante entrevista na escola.

A preparação também envolveu as famílias. A escola encaminhou autorizações aos responsáveis, já que somente as crianças cujos pais ou responsáveis concordaram terão suas cartinhas encaminhadas pelos Correios. Os alunos foram orientados sobre os tipos de presentes que poderiam solicitar, respeitando as recomendações da campanha, que não permite pedidos de produtos eletrônicos.

A diretora destaca que um dos aspectos mais importantes foi mostrar às crianças que escrever não é apenas uma atividade para cumprir no caderno, mas uma forma de se comunicar com alguém.

“Eles desenham muito bem, mas alguns ainda escrevem pouco. Então, foi uma prática que deu uma função social à escrita. A criança precisa entender por que está escrevendo, para quem está escrevendo e como fazer com que o leitor compreenda a mensagem. Não basta colocar qualquer palavra no papel; é preciso pensar no que quer dizer para que a pessoa que vai receber entenda o pedido. Isso foi muito gratificante”, explica.

Para ela, a iniciativa também fortalece o vínculo dos alunos com a escola. A expectativa pelo Natal se transforma em motivação para aprender, participar das atividades e acompanhar cada etapa da produção das cartinhas. “Pedagogicamente, foi um grande avanço. É bonito ver o envolvimento deles, a vontade de aprender e o carinho com que estão fazendo tudo isso”, completa.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
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Estudantes da E.M. Professora Eulália Neto Lessa escrevendo cartas em sala de aula.

Aprender brincando também é coisa séria

Na turma do segundo ano, a professora regente Rogéria Vieira acompanhou de perto cada etapa da produção. Em uma atividade que levou aproximadamente três ou quatro aulas, os estudantes aprenderam a organizar as informações de uma carta, desde a data e a saudação até a apresentação pessoal, o pedido e a despedida.

Para a professora, unir o universo lúdico do Natal ao processo de alfabetização tornou a aprendizagem mais leve e despertou o interesse até daqueles que costumam demonstrar resistência às atividades de escrita.

“Eles estão nessa fase de consolidar a escrita, e foi muito legal porque conseguimos unir o lúdico, o afetivo, que envolve o Natal, com a escrita. A partir do gênero textual, eles conseguem juntar palavras e estruturar frases. A carta tem uma função social, que é a comunicação, e eles puderam vivenciar isso na prática”, explica Rogéria.

Durante a atividade, cada criança teve a oportunidade de escrever sobre si, contar um pouco do que gosta e escolher o presente que gostaria de receber. A professora também percebeu que alguns pedidos estavam bastante ligados às novidades do universo infantil. Entre os mais desejados, um brinquedo ganhou destaque: o squishy, objeto macio que pode ser apertado e voltou a fazer sucesso entre as crianças.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
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A professora Rogéria Vieira sorri em pé, entre as carteiras, durante aula com a turma do 2º ano.

Além de estimular a produção textual, a atividade permitiu trabalhar questões como espaçamento entre palavras, pontuação e organização das frases. Na turma de 31 alunos, cerca de 25 já estavam alfabetizados, enquanto outros cinco ainda precisavam de acompanhamento mais próximo no processo de construção da escrita.

“Sem dúvida, eles ficaram mais empolgados. Nessa fase, ainda estão aprendendo a separar as palavras, usar a pontuação e organizar as frases. Quando você traz uma atividade que faz sentido para eles, o interesse é diferente. Eles querem escrever porque existe um motivo, porque têm algo que desejam comunicar”, destaca.

E, se para alguns a maior expectativa é a chegada do presente, para Rogéria, a experiência também abriu espaço para uma conversa especial sobre o verdadeiro significado do Natal. Ao perceber que alguns alunos questionavam a existência do Papai Noel, a professora aproveitou para mostrar que a figura do bom velhinho também representa a bondade e a generosidade.

“Eu disse a eles que qualquer pessoa pode ser Papai Noel de alguém. Não é apenas aquela figura que a gente imagina, mas alguém que faz o bem, que é bondoso, caridoso e leva alegria para outra pessoa. Às vezes, uma criança não tem um brinquedo, e você pode fazer a diferença na vida dela. Isso também é ser Papai Noel”, conta.

Cada cartinha, um sonho diferente

Entre uma palavra e outra, os pequenos também encontram espaço para imaginar. Com a cartinha sobre a mesa e um sorriso no rosto, João Miguel, de 7 anos, já tem algumas ideias do que gostaria de encontrar no Natal. O primeiro pedido é uma luva de goleiro, mas ele também ficaria feliz com um skate ou até mesmo um boneco do Flash.

Na mesma turma, Maria Rita, de 8 anos, conta que sempre acreditou no Papai Noel e descobriu, durante a atividade, o quanto gosta de escrever cartinhas. Para o bom velhinho, ela preparou uma lista de desejos que inclui um squishy, um kit de comidinhas ou um quebra-cabeça de mil peças, um de seus passatempos favoritos.

Já Hadassa, também de 8 anos, colocou entre seus pedidos um tênis da Nike, bonecas Barbie e, claro, um squishy. São desejos diferentes, próprios de cada criança, mas que têm algo em comum: a alegria de imaginar que alguém, em algum lugar, poderá ler aquelas palavras e ajudar a realizar um sonho.

Uma mensagem que vai além do presente

Nas turmas do primeiro ano, onde os estudantes estão nas etapas iniciais da alfabetização, o trabalho também ganhou um formato especial. Com a professora Laura Marcia da Silva, que soma 30 anos de experiência na educação, os alunos trabalharam o gênero textual bilhete, previsto no planejamento pedagógico do terceiro bimestre.

A proposta foi apresentar às crianças uma estrutura mais simples, com destinatário, mensagem e despedida, respeitando o nível de desenvolvimento de cada estudante. Alguns escreveram individualmente, outros contaram com a ajuda dos colegas e, em determinados casos, a professora conduziu a produção de um texto coletivo.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
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Sala de aula cheia, com estudantes concentrados na atividade de escrita das cartinhas para o Papai Noel.

“Nosso objetivo maior foi mostrar, por meio de um texto real e significativo, que a gente escreve para se comunicar, para transmitir nossos desejos, sonhos e ideias. Cada criança teve a oportunidade de pensar no que gostaria de ganhar do Papai Noel e escrever seu bilhetinho dentro das suas possibilidades”, explica Laura.

Para a professora, a iniciativa representa uma oportunidade especial de aproximar os alunos da leitura e da escrita, mostrando que aquilo que aprendem na escola tem aplicação no dia a dia.

“É muito interessante porque eles têm a oportunidade de vivenciar textos que realmente usamos. A gente escreve bilhetes para os pais, por exemplo, mas, dessa vez, é algo que parte do desejo deles. E existe também a leitura, porque, depois que escrevemos, precisamos ler o que foi escrito. É uma iniciativa maravilhosa para explorar esse universo”, afirma.

A magia começou antes mesmo das cartinhas

Se as crianças já estão sonhando com a chegada do Papai Noel, a coordenadora pedagógica Eliane Araújo conta que o encantamento começou muito antes de os primeiros pedidos chegarem ao papel.

Assim que a escola soube que havia sido selecionada para participar da campanha, ela preparou um bilhete especial para as famílias, escrito como se fosse um recado enviado pelo próprio escritório do Papai Noel. A mensagem foi encaminhada aos responsáveis e incentivou os pequenos a compartilharem a novidade em casa.

“Quando a escola foi escolhida, produzi um bilhete para mandar às famílias, como se a cartinha tivesse sido um pedido do próprio Papai Noel. Assinei como ‘Escritório do Papai Noel’ e incentivei as crianças a lerem para os pais. A magia já vem acontecendo desde agosto”, relembra.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
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Eliane Araújo, coordenadora pedagógica da E.M. Professora Eulália Neto Lessa.

A partir daí, toda a equipe pedagógica entrou em ação. As professoras passaram a trabalhar os gêneros textuais e as diferentes formas de comunicação, preparando os alunos para a produção das mensagens. Segundo Eliane, até mesmo a vontade de enviar um áudio ao Papai Noel surgiu entre os pequenos, o que abriu espaço para conversar sobre a importância da escrita.

O resultado é uma escola envolvida em uma corrente de expectativa, aprendizado e imaginação. Enquanto algumas crianças ainda escolhem as palavras, outras já terminaram seus desenhos e aguardam o momento de encaminhar os pedidos.

E, no meio de tantos lápis, papéis e sonhos, uma lição permanece: antes de qualquer presente chegar, o Natal já conseguiu entregar algo especial àquelas crianças. A vontade de aprender, a alegria de escrever e a descoberta de que uma mensagem, quando feita com carinho, pode viajar muito além dos muros da escola.

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