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Câmara de São Luís celebra FONASC e destaca protagonismo social na defesa dos rios
A Câmara Municipal de São Luís realizou, nesta quinta-feira (26), sessão solene em homenagem aos 25 anos do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos C...
26/03/2026 19h21
Por: Redação Fonte: Câmara Municipal de São Luis - MA

A Câmara Municipal de São Luís realizou, nesta quinta-feira (26), sessão solene em homenagem aos 25 anos do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas e aos 15 anos do Comitê Infantojuvenil da Bacia Hidrográfica do Rio Geniparana. Durante o evento, foi destacado o caráter histórico da tramitação, no Maranhão, de um projeto de lei que reconhece um rio como sujeito de direitos — iniciativa considerada inovadora na área ambiental.

O co-vereador Jhonatan Soares, do Coletivo Nós (PT), mandato que deu origem a proposta para solenidade, ressaltou a importância do momento: “Estamos fazendo história ao discutir um projeto que reconhece o rio como sujeito de direitos e reforça nossa responsabilidade com as águas”. Ele também chamou atenção para a degradação do Rio Geniparana: “Muitas pessoas já não o reconhecem mais como rio, mas como vala, o que mostra a urgência da Educação Ambiental.”

Educação ambiental e políticas públicas em destaque

Representando a Secretaria de Estado da Educação, o professor Luiz Câmara enfatizou a importância de fortalecer a Educação Ambiental como política pública estruturante. Segundo ele, o Brasil ainda enfrenta fragilidades nesse campo, com ações muitas vezes descontinuadas a cada mudança de governo.

O investimento em Educação Ambiental precisa ser permanente, tanto no ensino formal quanto nas ações comunitárias. Não pode depender de gestões, mas ser um compromisso de Estado”, afirmou.

O professor também alertou para a gravidade da crise climática, destacando o aumento de eventos extremos, como enchentes e desastres relacionados à ocupação desordenada do solo. “Não é mais um tema apenas de ambientalistas. É uma questão de toda a sociedade”, pontuou.

Juventude como protagonista

Um dos momentos mais marcantes da sessão foi a participação de jovens do comitê infantojuvenil. A estudante Heloísa Cardoso, representante do Comitê Infantojuvenil da Bacia Hidrográfica do Rio Geniparana, emocionou o público ao relatar sua experiência ao conhecer a realidade do rio. Ela descreveu a degradação do rio, com águas poluídas, desmatamento e impactos diretos nas comunidades, como enchentes frequentes. “Transformar os rios não é fácil. Precisa de união, força e muitas pessoas comprometidas”, afirmou.

Já o presidente de honra do Comitê, João Lucas, destacou o papel do comitê na formação cidadã. Segundo ele, a participação política é essencial para garantir direitos e evitar que interesses econômicos se sobreponham ao bem coletivo. “Quando a gente se afasta, outros interesses ocupam esse espaço. Participar é fundamental”, disse. Ele também ressaltou que sua trajetória no comitê contribuiu diretamente para sua formação acadêmica, hoje cursando Geografia.

Trajetória de luta e articulação

A vice-coordenadora nacional do FONASC e representante a entidade no estado, Tereza Cristina Pereira Castro, relembrou os desafios iniciais da pauta ambiental no Maranhão, especialmente, dentro de instituições técnicas. Ela destacou a importância de parcerias e acordos institucionais que permitiram ampliar a atuação do fórum. “Esse trabalho é resultado de compromisso, seriedade e construção coletiva. Ninguém faz isso sozinho”, afirmou.

Também participante da sessão, o coordenador geral do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas (FONASC-CBH), João Clímaco, ressaltou que a força da sociedade civil está na sua autonomia e organização. Para ele, a participação social precisa ser construída a partir das experiências reais da população. “A sociedade civil só é forte quando constrói sua própria identidade. O Estado deve servir à sociedade, e não o contrário”, declarou.

Desafios e perspectivas

Ao longo da sessão, também foram debatidos problemas urbanos e ambientais de São Luís, como saneamento básico precário, poluição de rios, ocupação irregular do solo e degradação de áreas de manguezais. Os participantes destacaram a importância de instrumentos como o Plano Diretor e a Lei de Zoneamento, que definem o futuro da cidade nas próximas décadas, e reforçaram a necessidade de integrar essas políticas à preservação ambiental.

Também fizeram parte da mesa os co-vereadores do Coletivo Nós (PT), Eni Ribeiro e Raimunda Oliveira. A sessão foi encerrada com a reafirmação do compromisso coletivo com a defesa das águas e o fortalecimento da participação social, destacando que a luta ambiental é contínua e envolve diferentes gerações.