
Na mesa, uma cartilha com o bê-á-bá digital. Na conversa, um dos alunos revela que sua maior vontade é aprender a dar “like” nos vídeos que assiste pelo celular. Aos 83 anos, o aposentado Santo Lourenço Dias foi um dos participantes da Oficina Inclusão Digital 60+, promovida pela SEC (Secretaria de Estado da Cidadania), em parceria com o Sesi.
A primeira edição, realizada nesta semana, levou orientações sobre o mundo digital aos moradores idosos do bairro Vila Popular, em Campo Grande. Seu Santo chegou ao ônibus do Sesi, adaptado como sala de aula, sem o celular. Voltou para casa correndo para buscar o aparelho e, assim, pode acompanhar na prática, com o telefone em mãos, cada orientação apresentada durante a oficina.

“Eu uso mais para receber telefonemas, assistir ao YouTube, escutar um hino e fazer ligações. Mas, falar que eu sei usar, eu não sei, não. Tenho que aprender essas coisas de ‘dar like’, como dizem nos vídeos”, conta.
Com 18 vagas, o ônibus adaptado conta com notebooks, cadeiras e material didático. Uma das primeiras lições começa pela configuração do próprio celular, especialmente pelo ajuste do tamanho da fonte, para facilitar a leitura e o acompanhamento das atividades.
“Se eles já não enxergam bem, não vão conseguir reter todas as informações que serão passadas”, explica a instrutora da oficina, Deize Staub.
De forma lúdica, Deize apresenta um passo a passo para que os alunos percam o medo de mexer no aparelho e ganhem confiança para utilizar suas funções. O aprendizado começa pelas configurações básicas e avança gradualmente para as redes sociais e outros recursos.

“Muitos deles acham que vão estragar o celular ou apagar algo importante. Por isso, começamos pelas configurações do telefone e, depois, avançamos para as redes sociais. É preciso ter paciência. Eles viveram em uma época em que a telefonia era com fio, então aprender a usar o celular dessa forma já é um avanço. Nosso objetivo é que consigam aproveitar as funcionalidades do aparelho”, completa.
Ao se aproximar dos alunos e demonstrar cada recurso diretamente nos aparelhos, a instrutora compartilha experiências e esclarece dúvidas. Conforme a turma avança, também entram em pauta os cuidados necessários para navegar com segurança, como: evitar links suspeitos e desconfiar de pedidos de transferência de dinheiro, mesmo quando parecem vir de pessoas conhecidas.
“O objetivo é incluir digitalmente as pessoas com 60 anos ou mais, para que tenham autonomia para realizar suas atividades e, ao mesmo tempo, estejam mais protegidas contra golpes”, reforça Deize.

É justamente para aprender a usar o celular sem depender da ajuda de outras pessoas que a aposentada Maria da Solidade Silva, de 70 anos, procurou a oficina.
“Quero dar conta de entrar nos aplicativos, fazer meus Pix, acessar as redes sociais sem ter que pedir ajuda aos netos e aos filhos. O que já aprendi aqui foi ótimo. Tem coisas que eu não sabia como acessar e agora vi que não preciso ter medo”, conta.
A Oficina Inclusão Digital 60+ é uma iniciativa da SEC (Secretaria de Estado da Cidadania), por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Pessoa Idosa, em parceria com o Projeto 60+ do Sesi e com o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social de Campo Grande, que auxilia na organização do cronograma das atividades. A proposta é ampliar o acesso à educação e ao letramento digital entre as pessoas idosas. Inicialmente na Capital, com a intenção de alcançar as sete regiões urbanas do município e, posteriormente, outros municípios de Mato Grosso do Sul.

Subsecretária de Políticas Públicas para Pessoa Idosa, Larissa Paraguassu, destaca que a inclusão digital precisa ir além do acesso à tecnologia.
“Hoje, cada vez mais pessoas idosas têm acesso à internet e ao celular, mas precisamos garantir que elas também saibam utilizar essas ferramentas com segurança. A inclusão digital é uma questão de cidadania, porque permite que realizem suas atividades com mais autonomia, participem da vida social e não dependam de outras pessoas para tarefas do dia a dia. Ao mesmo tempo, esse aprendizado é fundamental para prevenir golpes financeiros e outras formas de violência patrimonial e digital que atingem essa população”, afirma.
Para Larissa, a iniciativa também está alinhada à valorização do envelhecimento saudável, com incentivo à autonomia e à participação social das pessoas idosas.
“Precisamos criar oportunidades para que as pessoas idosas continuem participando da sociedade, façam suas próprias escolhas e tenham mais independência. Isso passa também pela segurança digital. Quando ensinamos a reconhecer tentativas de golpe e a utilizar os recursos do celular, estamos trabalhando na prevenção das violências e fortalecendo a cidadania dessa população”, completa.
A segunda edição da oficina será realizada no dia 27 de outubro, às 14h, em frente à USF Aero Itália, na Rua Rio Galheiros, 280, Jardim Itália, na região do Jardim Aeroporto, em Campo Grande.
Para inscrições e informações, o contato é o telefone (67) 99967-5170.
Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania
Foto de capa: Paula Maciulevicius/SEC
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